Instituto Cidades Responsivas · Análise Preliminar do Plano Diretor
Indicadores de emprego, moradia e mobilidade
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Emprego e local de moradia
Descrição do indicador
O indicador relaciona a quantidade de vínculos de emprego formal em uma cidade com o número de habitantes ocupados. Cidades com maiores valores são aquelas em que há mais empregos do que habitantes ocupados, o que possivelmente significa que esse excesso de postos de trabalho são ocupados por residentes de outras cidades.
Um grande número de vínculos de emprego ocupados por pessoas de outros municípios é um indicativo do tamanho da demanda por habitações que uma cidade “perde” para suas vizinhas devido a suas ineficiências (moradias muito caras, sistema de transporte precário, falta de infraestrutura).
O mapa ao lado apresenta os resultados desse indicador para as capitais brasileiras. Nele, quanto maior o valor de uma cidade, maior o percentual de empregos ocupados por residentes de outras cidades. Observa-se que Florianópolis, Vitória e Recife - que apareceram anteriormente com alguns dos preços medianos de habitações mais altos das capitais - também apresentam um alto valor deste indicador, sinalizando que há pessoas que precisaram se mudar para as cidades vizinhas em busca de habitações mais baratas.
Aplicação em Tamandaré
Há algumas restrições na disponibilidade de dados para cidades do interior, como Tamandaré, que impedem a comparabilidade dos resultados obtidos com os valores obtidos para as capitais. Mais especificamente, os dados de informalidade, de população ocupada e na força de trabalho são apenas divulgados individualmente para as capitais; no caso de outras cidades, tais informações são divulgadas de forma agregada por região metropolitana ou pelo estado inteiro, sendo impossível identificar qual exatamente são os valores de tais métricas para o município de Tamandaré especificamente.
INDICADOR DE TRABALHO = EMPREGOS FORMAIS / POPULAÇÃO EMPREGADA FORMALMENTE
Quanto maior o indicador, a quantidade de empregos tende a ser maior do que a população ocupada, o que aumenta a probabilidade de postos de trabalho ocupados por pessoas de fora.
Resultados
Os valores obtidos - apresentados no quadro ao lado - indicam que, comparada com as cidades do entorno, Tamandaré apresenta uma quantidade de vínculos de emprego formal abaixo do esperado para sua população. O município apresenta uma proporção de empregos maior apenas do que a cidade de Água Preta.
Isso, a princípio, significa que os residentes de Tamandaré ocupados no mercado formal tendem mais a ocupar postos de emprego fora do município do que trabalhadores de outras cidades ocuparem postos de trabalho no município. Tais resultados podem ser devido à estrutura produtiva de Tamandaré, que difere significativamente dos municípios vizinhos com maiores valores neste indicador, influenciando sua capacidade de gerar empregos formais.
Tamandaré é um município litorâneo cuja economia gravita em torno do turismo, comércio e algumas atividades agropecuárias e da construção, sem contar com indústrias de grande porte ou outros setores intensivos em emprego formal. Os setores de comércio e serviços de alojamento e alimentação (ligados ao turismo) representam juntos cerca de 43% dos empregos formais no município, empregando pelo menos 868 trabalhadores somente em restaurantes, bares e hotéis.
Isso reflete a importância da Praia dos Carneiros e do turismo local na geração de postos de trabalho. Contudo, esse perfil de serviços e comércio tende a gerar empregos de baixa remuneração e alta rotatividade, e frequentemente muitos destes empregos escapam da formalização: contratações temporárias ou informais são comuns em pequenas pousadas, bares de praia, vendedores ambulantes. Mesmo entre os empregos formais, predominam ocupações de menor qualificação: as três funções com mais trabalhadores formais em Tamandaré são trabalhador na cultura da cana-de-açúcar (314 vínculos), servente de obras (248) e vendedor do comércio varejista (172). Esses dados revelam uma economia local focada em agropecuária tradicional (cana-de-açúcar), construção civil e comércio – atividades em que a informalidade e a sazonalidade costumam ser elevadas.
| Município | Indicador de Trabalho e Local de Moradia |
|---|---|
| 0,13 (tendência de ter menos trabalhadores de outras cidades) | |
| 0,17 | |
| 0,18 | |
| Água Preta | 0,20 |
| Tamandaré | 0,20 (tendência de ter mais trabalhadores de outras cidades) |
| Maragogi | 0,21 |
| Barreiros | 0,22 |
| Gameleira | 0,23 |
| Ribeirão | 0,25 |
| Jacuípe | 0,28 |
| São José da Coroa Grande | 0,30 |
| Escada | 0,31 |
| Sirinhaém | — |
| Rio Formoso | — |
| Ipojuca | — |
Recomendações
A melhoria dos resultados para esse indicador passa pela diversificação da economia local, buscando incentivar alternativas para a geração de empregos formais. Do ponto de vista do Plano Diretor, isso indica a necessidade de criar incentivos para a instalação de atividades não-residenciais em áreas com alto potencial para seu sucesso. Nesse sentido, pode-se utilizar incentivos para fornecer potencial construtivo em troca do empreendimento utilizar o térreo da edificação para atividades de comércio e prestação de serviços.
Uma forma de fazer isso é o que foi proposto em um caderno posterior da consultoria de Tamandaré, quando se propôs uma diminuição do valor da outorga onerosa para empreendimentos que cumprissem requisitos de uso misto e de fachada ativia, como sinalizado nos diagramas apresentados ao lado.
Entretanto, não necessariamente a cidade possui tais áreas atrativas a esse tipo de uso, sendo necessário a criação das condições que façam com elas surjam. Nesse sentido, pode-se considerar que o adensamento em eixos com maior oferta de infraestrutura e serviços seria uma estratégia para criar novos corredores de centralidade que criem as condições para o desenvolvimento da economia local e atração de novos tipo de empreendimentos não-residenciais.
Mobilidade e emprego
Descrição do indicador
O indicador tem o objetivo de avaliar o sistema de mobilidade das cidades com base na eficiência com que os domicílios são conectados às oportunidades de trabalho existentes no próprio município e nas cidades dos arredores. O valor do indicador representa a quantidade de empregos alcançados em até 45 minutos divididos pelo número de domicílios alcançados nesse mesmo tempo. Assim, cidades com maiores valores do indicador são aquelas cujo sistema de mobilidade conecta cada residência a mais oportunidades de trabalho em relação à dimensão da demanda local por empregos.
Em termos do que a administração pública deveria fazer para melhorar o valor do indicador de uma cidade, além de mudanças da infraestrutura dos diferentes modais de transporte, podem ser realizadas alterações no Plano Diretor visando incentivar uma maior proximidade entre residências e outros usos do solo: visto que a distância entre os domicílios e os locais de trabalho é um dos fatores que afetam o modal de transporte escolhido e o tempo final de deslocamento, a definição de zoneamentos urbanísticos que tornem a forma urbana mais eficiente é uma alternativa para diminuir o valor do indicador.
O mapa ao lado apresenta os resultados - também disponíveis na página do Observatório Cidades Responsivas - obtidos para esse indicador para oito capitais brasileiras.
Aplicação em Tamandaré
A falta de um sistema de transporte público intramunicipal estruturado faz com que, para Tamandaré, seja possível apenas avaliar a proximidade entre residências e empregos por meio de deslocamentos por automóvel individual.
Além disso, os dados do Ministério do Trabalho referentes à localização de vínculos empregatícios ativos utilizam o CEP das empresas como variável de georreferenciamento, e não a localização exata. Em grandes cidades, isso não inviabiliza a análise pois as dimensões dos polígonos de abrangência de cada CEP são relativamente pequenas, possibilitando um grau satisfatório de detalhamento espacial no resultado. Entretanto, cidades do porte de Tamandaré tendem a possuir uma quantidade limitada de CEPs cujos polígonos de abrangência possuem áreas mais extensas, de modo que sua utilização para a análise espacial do acesso a empregos se torna prejudicada.
Nesse sentido, o método utilizado para o cálculo do indicador em Tamandaré varia em relação àquele utilizado nas capitais, cujos valores foram apresentados no mapa da página anterior. Os dados do Ministério do Trabalho foram ponderados com base na concentração de estabelecimentos comerciais e de serviços existentes na cidade, cuja localização foi coletada a partir do banco de dados da plataforma Google Maps. Assim, se considerou que a quantidade de empregos indicada pelo Ministério do Trabalho para cada região da cidade se distribui espacialmente de modo proporcional à concentração dos comércios.
O valor do indicador é calculado por meio da divisão da quantidade de empregos pelo número de domicílios, servindo de indicativo tanto da disponibilidade de vagas de trabalho na região quanto da concorrência existente por elas.
EMPREGOS / DOMICÍLIOS
Valores maiores indicam mais oportunidades de trabalho em relação à população da área. Valores menores indicam maior concorrência pelas vagas de emprego existentes.
Resultado
O valor obtido para Tamandaré, quando comparado com os resultados calculados para outras capitais, corresponde ao segundo maior valor, sinalizando uma alta proximidade entre domicílios e empregos.
Uma primeira observação é a de que, devido à escala de Tamandaré, até certo ponto seria esperado que seu indicador estivesse acima das outras cidades, tendo em vista a maior dificuldade de cidades grandes em conectar a população das regiões periféricas aos principais centros de empregos da cidade. Como a porção periférica de Tamandaré está relativamente próxima ao centro, devido às dimensões da cidade, tal desafio acaba sendo reduzido.
Uma segunda observação é em relação ao contraste entre o resultado deste indicador com o indicador de Trabalho e Local de Moradia apresentado anteriormente. Por que este indicador sinaliza que os domicílios de Tamandaré estão próximos dos empregos formais, enquanto o outro indicava que Tamandaré possuía uma baixa quantidade de empregos formais em relação a sua população? A resposta reside no fato de que o indicador anterior considerava apenas a cidade de Tamandaré, enquanto o atual considera todas aquelas a até 45 minutos de carro do município, abrangendo as cidades de Rio Formoso, Sirinhaém e uma parte de Ipojuca, que possuem pólos de emprego mais estruturados, especialmente devido à presença de indústrias que diversificam a economia local.
| Posição | Indicador de Mobilidade e Emprego |
|---|---|
| 1 | São Paulo — 1,03 |
| 2 | Tamandaré — 0,99 |
| 3 | Belo Horizonte — 0,71 |
| 4 | Curitiba — 0,69 |
| 5 | Florianópolis — 0,68 |
| 6 | Porto Alegre — 0,53 |
| 7 | Rio de Janeiro — 0,51 |
| 8 | Fortaleza — 0,50 |
| 9 | Salvador — 0,41 |
Verifica-se que a área urbana de Tamandaré possui homogeneamente altos valores para o indicador de mobilidade, sinalizando seu potencial para receber mais densidades residenciais.
Legenda do mapa: Relação entre empregos e domicílios alcançados em até 45 minutos de carro
- acima de 1,15
- 1,00 a 1,15
- 0,90 a 1,00
- 0,75 a 0,90
- 0,60 a 0,75
- abaixo de 0,60
Camadas: Vias de maior hierarquia; Restante das vias; Limite municipal; Sede urbana.
Análise realizada a partir de dados de emprego coletados do Ministério do Trabalho, dados de domicílios do IBGE e dados de tempo de deslocamento do Google Routes. Escala: 2,5 km — N.
Recomendações
Os resultados do indicador de mobilidade indicam que a sede urbana de Tamandaré possui uma bom acesso às oportunidades de emprego existentes em seus arredores. Isso é um indicativo que corrobora a tese de uma parte da zona urbana ser utilizada para densificação, objetivando a criação de uma cidade compacta com sistemas de infraestrutura eficientes.
Apesar dos bons resultados obtidos para o indicador, instrumentos urbanísticos que criem incentivos ao uso misto podem contribuir para gerar mais empregos em zonas residenciais que criem uma proximidade ainda maior entre eles e a população residente. Isso se torna especialmente relevante para Tamandaré tendo em vista a falta de espaço para a ampliação da infraestrutura viária ante um eventual crescimento demográfico da cidade. Desse modo, a tentativa de se aproximar as densidades residenciais dos locais de trabalho por meio do planejamento urbano seria um modo de exigir menos do sistema viário local.
Uma forma de fazer isso é o que foi proposto em uma porção futura deste relatório da consultoria de Tamandaré, quando se propôs uma diminuição do valor da outorga onerosa para empreendimentos que cumprissem requisitos de uso misto e de fachada ativia, como sinalizado nos diagramas apresentados ao lado.
A implantação de fachada ativa no térreo tornaria a contrapartida da outorga onerosa 10% mais barata.
A presença de uso misto na edificação diminuiria o valor da contrapartida da outorga em 20%.
Uso residencial / Uso comercial
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